sexta-feira, 2 de maio de 2008

Após um longo e tenebroso inverno...

Estou de volta, a semana de provas me deixa sem tempo e logo depois fiz uma viagem, por isso o abandono do blog.
Hoje vou colocar um soneto de Shakespeare, excelso dramaturgo não por que escrevia bem ou sabia jogar com as palavras, mas por que falava do que as pessoas sentem. Grandes escritores muitas vezes tornam-se impessoais, intocáveis diante de seus leitores, não por que se fazem assim, são os próprios leitores que se distanciam de seus autores, lendo suas obras como quem as tivesse escrito seja maior do que eles. Não. O escritor é apenas alguém que já passou por situações e aprendeu sofrendo com elas, e para que os outros sofram menos escreve seu conhecimento de vida para quem ainda vai passar pelo o que ele já passou. Espero que você nunca mais leia algum escrito fazendo o autor surreal.

Beijo
da
Bley

Soneto 35

Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te excuso, e me convenço

Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

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